sábado, 27 de junho de 2009

Foto por: Tamires Brito

Das amizades

Das amizades só posso dizer das mais sinceras, ou melhor, das sinceras. Das amizades quero todos os sorrisos, quero todas as alegrias, quero toda a felicidade, quero todas as angústias, quero todos os medos e sonhos, das amizades quero tudo que se compartilhe. Não quero que morram de amor por mim, mas que apenas vivam por mim, e que queiram estar perto de mim, pois a amizade é uma mão que te acompanha nos sorrisos ou nas angústias, é um ouvido que te escuta nas alegrias ou nos medos, é uma porta que se abre e que te atende até os sonhos de tua alma. Tudo que eu quero das amizades, é que meu sentimento seja valorizado e que em algum momento, possa eu no fechar de meus olhos pensar em alguém e ter a certeza de que quando ela fechar o olhos também pensará em mim. E que as amizades têm peso, e a minha tem o peso da luz, tem o peso música, tem o peso de lembranças, tem o peso da saudade, tem o peso de um olhar e que pesa como pesa uma ausência e imaterialmente como a solidão em meio a tudo. Sei que demora-se um minuto para se conhecer uma pessoa, uma hora para saber que ela é especial, um dia para apreciá-la, um mês para amá-la, mas para esquecê-la o tempo de uma vida é curto. E sei também que se vocês não existissem eu teria de inventá-los, com todos os seus jeitos , manias e gestos, porque eu não viveria sem os exageros de vocês, sem os seus bons humores que eu adoro e o seus maus humores que sempre acabam em risadas. Eu preciso das suas perfeições e suas imperfeições, dos seus erros e acertos. Vocês me completam e por isso eu amo vocês. E a única coisa que eu quero fazer, é estar no futuro e poder dizer que tive amigos de verdade.

Dedico este texto a todos os meus amigos verdadeiros, e agradeço [tentarei lembrar] a todos: Às Mariana's pela inspiração de sempre; à Tami pelas fotos; às meninas [Gabi, Renatinha , Silvinha, Marcela, Denize, Súu, Arlene, Jéssica, Rafa, Tamila, Renata, Clarice, Sarah, e outras que não me recordo agora], a gradeço a elas pelo apoio que me deram ou não; agradeço ainda por último, mas não menos importantes, aos rapazes [Quirino, Flávio, Gago, João Paulo, Dennys, Davi, Vinícius e tantos outros], agradeço a eles por nada, só por estarem comigo e me aturarem todos esses dias.
Porém, não posso esquecer dos amigos das antigas, dos amigos do passado, os amigos de sempre, futuro, passado ou presente, Lorena, Cecília, Nathália, Real [brother], Negãão [brother], Jorge [brother], Fúlvio, Marcel, Mateus, Lucas, Luan [todos brothers], Amandinha, Luciana, Bia, Bárbara, Soraia, Déborah, Cadu [sumido] e mais tantos outros que eu por um minuto não lembrei, mas que estarão pra sempre onde eu for, comigo.

Luís de Camões

Foto por: Tamires Brito

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar

No Mundo graves tormentos;

E para mais me espantar,

Os maus vi sempre nadar

Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim

O bem tão mal ordenado,

Fui mau, mas fui castigado.

Assim que, só para mim,

Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões - Alma minha gentil, que te partiste

Foto por: Tamires Brito

Lembranças de um amor sem fim

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Luís de Camões - A violeta mais bela que amanhece

Foto por: Tamires Brito

Florescer é amadurecer com magia; É surpreender-se com o desabrochar; É nascer crescer e murchar.

A violeta mais bela que amanhece
no vale, por esmalte da verdura,
com seu pálido lustre e formosura,
por mais bela, Violante, te obedece.

Perguntas-me porquê? Porque aparece
seu nome em ti e sua cor mais pura;
e estudar em [teu] rosto só procura
tudo quanto em beldade mais floresce.

Oh! luminosa flor, oh! Sol mais claro,
único roubador de meu sentido,
não permitas que Amor me seja avaro!

Oh! penetrante seta de Cupido,
que queres? Que te peça, por reparo,
ser, neste vale, Eneias desta Dido?

Bertolt Brecht - Tempos Sombrios

Foto por: Tamires Brito

A melancolia de um olhar obscuro

Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é lou
cura.
Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade.
Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar.
Que tempos são estes,
em que
é quase um delito falar de coisas inocentes,
pois implica em silenciar
sobre tantos horrores.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Luís de Camões - A formosura desta fresca serra

Foto por: Tamires Brito

Transparecer

A formosura desta fresca serra

E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;

O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do Sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;

Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos oferece,
Me está, se não te vejo, magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando,
Nas maiores alegrias, maior tristeza.