A essa hora a história já não faz mais parte de mim, é tudo passado, futuro, tempo vivido e não figurado. Já fui tantas coisas, ou melhor, já desejei ser tantas vezes o que não sou, que hoje apesar de me reconhecer tão facilmente, percebo que não tenho forma, e tudo que acontece atualmente é, foi e será sempre o meu presente. Vivido substancialmente e marcado constantemente.E é nesse meio que eu caminho, lento, feito escravo; escravo do meu tempo.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Foto por: Tamires Brito
Minhas recordações vêm e vão, mas ao longo do tempo se transformarão; Vagas lembranças marcadas; pelo descontínuo compasso da vida.
Jamais te amei tanto, ma soeur Como ao te deixar naquele pôr do sol O bosque me engoliu, o bosque azul, ma soeur Sobre o qual sempre ficavam as estrelas pálidas No Oeste. Eu ri bem pouco, não ri, ma soeur Eu que brincava ao encontro do destino negro - Enquanto os rostos atrás de mim lentamente Iam desaparecendo no anoitecer do bosque azul. Tudo foi belo nessa tarde única, ma soeur Jamais igual, antes ou depois - É verdade que me ficaram apenas os pássaros Que à noite sentem fome no negro céu.
(Bertolt Brecht)
Bilhete
Se tu me amas, ama-me baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa em paz os passarinhos Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda
(Mário Quintana)
Livros e flores Teus olhos são meus livros. Que livro há aí melhor, Em que melhor se leia A página do amor? Flores me são teus lábios. Onde há mais bela flor, Em que melhor se beba O bálsamo do amor?
(Machado de Assis)
Círculo vicioso
Bailando no ar, gemia inquieto vagalume: "Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!" Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
"Pudesse eu copiar-te o transparente lume, Que, da grega coluna à gótica janela, Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela" Mas a lua, fitando o sol com azedume:
"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela Claridade imortal, que toda a luz resume"! Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume... Enfara-me esta luz e desmedida umbela... Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
(Machado de Assis)
Foto por: Tamires Brito
All I need
"... When I look in your eyes I cannot disguise I wish you could feel Your mind surrended tonight [...] Don't take it away I'll give you my love, body, soul night and day [...] All I need is your love So let me into your life I will take you high To the seventh sky ..."
terça-feira, 7 de julho de 2009
" ... A suspeita persegue sempre a consciência culpada ..."
Os beijos que te dou tu não sabes de onde vêm. São teus, do teu corpo e da tua alma, do mais profundo de ti, sim, mas vêm daquele meu ego morto que só contigo renasceu. Pouco me ri e muito mais sofri neste tempo todo. Lutei com a necessidade de dizer e a absoluta impossibilidade de escrever. A cada dia, adiei o que iria escrever ontem. A idéia vinha à memória, mas, logo, logo, se esvaía naquele cansaço imenso que me fazia deixar tudo para amanhã e jamais recomeçar. Tornei-me um esquizofrênico da memória ou de mim mesmo: o que queria e desejava agora me impacientava em seguida e me cansava e aborrecia logo adiante. Agora, quando roço a tua pele e no silêncio te sinto estremecer, algo extravagante que nos obrigava a vagar pelo mundo sem jamais poder voltar á pátria e ouvir teus sussurros ou descobrir teus olhos verdes-azuis ao sol do lugar onde nasci. Eu me lembro tanto de tanto ou de tudo que, talvez por isso, tentei esquecer. Quando te amo, este amor enfurecido de beijos e abraços ocupa todo o espaço da memória e, só então, vivo tranqüilo e em paz. Sim, minha amada, o que os meus olhos viram às vezes tenho vontade de cegar. Esquecer? Impossível, pois o que eu vi caiu também sobre mim, e o corpo ou a alma sofridos não podem evitar que a mente esqueça ou que a mente lembre. Sou um demente escravo da mente. Rima? Rima, sim, e até pode ser uma rima, mas não é uma solução. A única solução é não esquecer. E por não esquecer te conto, minha amada. Como um grito te conto.
(Flávio Tavares)
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Foto por: Tamires Brito
Poeminha Filosófico
Hoje sou o que penso que teria sido se houvesse vivido o que pensei ser, não o que fui.
Hoje não estou preso nem derrotado, nem sozinho. Na minha parede não há grades e não há paredes no meu mundo. Hoje sou o que penso ser, não o que sou.
Sou um eu que não está comigo nem mais pode ser eu, porque não estando onde estou vivo cheio de coisas que não habitaram outrora o que eu pensei em mim.
Hoje penso que não penso nada do que penso nem do que busquei, engendrei, desfiz, ultrajei, construí ou vivi. A vida é geometria tangente que me saúda nas margens, sem pó nem suor, só com a minha vontade de que tudo houvesse acontecido como nos sonhos pensados ou nos ritmos passados do que não fiz.
Hoje penso que sou nada do que quis ser, somente tudo do que agora penso. Hoje penso que sou Fernando Pessoa e que morri adulto e lúcido em 1935, um ano depois de ter nascido.
(Flávio Tavares)
domingo, 5 de julho de 2009
Foto por: Tamires Brito
All faded dreams
She's right here, diving in her dark dreams
and when she kisses me
I feel in her eyes a little bit of sadness
so I say, It's Love.
While she leaves me away,
I whisper: You know where find me,
I believe I can fly, I believe I can touch the flame
When you hold me, there's no blame,
nobody makes me feel the same.
Wishes and dreams are fading away
There's no doubt, I say
Live the moment, each and everyday
And maybe you'll find me, thinkin' it's not enough
Because live just, upsests me
And at last, this feeling leaves under frozen souls
Oh who knows just what the future holds
All i want to know is if it's with you
million faces pass my way
nothing seems to change anytime i look around
We're distracted by the hard times, and the troubles that we make
Let us throw them in the ocean, let it wash our cares away
I will roam lost but never alone
I know that life's design moves around lies, white lies.
(Ítalo Egypto)
Foto por: Tamires Brito
Não passou
Passou? Minúsculas eternidades deglutidas por mínimos relógios ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz. A mão- a tua mão, nossas mãos- rugosas, têm o antigo calor de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca. Mentira, estarmos sós. Nada, que eu sinta, passa realmente. É tudo ilusão de ter passado.