quarta-feira, 2 de setembro de 2009

foto por : Tamires Brito

Abdicação

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho. Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa — eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços


Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.


Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
(Fernando Pessoa)

sábado, 29 de agosto de 2009

foto por: tamires brito



Ah! Como é bom acordar
e sentir o aroma do vento
que escorre da face aos pés
como uma lágrima
que enxuga a alma.

Como é bom sonhar,
com as transições acordar
lindas palavras dizer
inesquecíveis momentos viver.

Como é bom sorrir,
sorrir até lacrimejar
lacrimejar até partir
partir até voltar.

Como é bom o amanhã,
que traz consigo paz,
de uma nova chance é fã
e criar novos caminhos capaz.

O melhor desse dia,
que eu posso dizer
antes que ele descanse.

Tudo que eu queria
era uma nova chance
a cada novo dia.

Teu sorriso me ilumina,
teu olhar me orienta,
tua alegria me contamina,
teu calor me alimenta.

(ítalo egypto)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

foto por: tamires brito



Na noite escura, sombria claridade
no mar agitado, impiedosa calmaria
no olhar distante, longínqua proximidade
na amizade sincera, verdadeira fantasia.

No verão, sustentar a beleza
no inverno, recriar a emoção
na primavera, primar a sutileza
no outono, transbordar satisfação.

Assim segue o olhar distante,
sustentando a sutileza de um mar agitado,
recriando a beleza de uma amizade longínqua.

Assim segue a noite escura,
transbordando uma emocionante claridade
primando uma sincera proximidade.
(ítalo egypto)

Como os ecos ao longe confundem seus rumores
na mais profunda e tenebrosa unidade,
tão vasta como a noite e como a claridade,
harmonizam-se os sons, os perfumes, as cores.

(Baudelaire)

domingo, 23 de agosto de 2009

foto por: ítalo egypto


Ao alvorecer minha vida começa
como uma grande aventura
não há alegria como essa
na minha vida não há partitura.

Ao meio-dia minha vida é um drama
tudo é motivo de tensão
é engraçado minha alma me chama
e eu parado morro de apreensão.

O dia muda vagamente
a tarde passa eternamente
já me sinto diferente.

Ao pôr-do-sol minha vida é uma tragédia
ela é simplesmente
uma trágica comédia.
(ítalo egypto)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Foto por: Tamires Brito


Ao alvorecer minha vida começa
como uma grande aventura
não há alegria como essa,
na minha vida não há partitura.
(ítalo egypto)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Foto por: ítalo egypto


O Passageiro

O passageiro segue sentado,
observa tudo em sua volta
o banco, um velho estofado
na estrada uma grande revolta.

O passageiro segue sentado,
no campo a marcha da boiada
aos gritos do peão, transeunte calado
ao silêncio da viagem, à vapor silenciada.

O passageiro segue sentado,
antes que a algo se apegue
volta ao velho estofado.

E não há ninguém que negue,
a boiada, o campo ou peão abismado,
o passageiro sentado, segue.
(Ítalo Egypto)

domingo, 16 de agosto de 2009

Foto por: ítalo egypto


i remember when


De uma bela manhã,
um ensolarado dia se fez
como se desvanecesse de uma vez,
toda a tristeza do amanhã.

Toda essa beleza se transfigura,
quando eu te vejo
uma memória deste dia eu desejo,
uma nova lembrança, agora sem moldura.

Enquanto eu caminhava
você ao meu lado sorria,
corria e cantava.

E o mais incrível deste lindo dia
é que o que mais brilhava
era a luz que o teu sorriso refletia.

(Ítalo Egypto)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Foto por: Tamires Brito



Teu corpo
se enxuga em minha água:
calafeta,
enxágua.
Completa
o que não vem de mim.
E por ser água e calma,
sonâmbula
como a
distraída voz do lume,
lembra um vago perfume
de jasmim.

(Everardo Norões)

Foto por: Tamires Brito


Agonizavam os rastros de novembro.
E os meus ossos, cansados das neblinas,
doíam, no concerto das esquinas
da cidade, onde um dia, ainda me lembro,

Penetrou-se de escuro a minha alma,
quando um cão, a ladrar contra o sol-posto,
mordeu o lado oculto do meu rosto
e deixou seus sinais à minha palma.

Lembro-me que era de tarde. Ainda chovia.
O eco dos espelhos conduzia
meus passos que jaziam pelas ruas.

Havia o som da água que caía.
E no horizonte, além da agonia,
um cemitério de meninas nuas.
(Everardo Norões)