A essa hora a história já não faz mais parte de mim, é tudo passado, futuro, tempo vivido e não figurado. Já fui tantas coisas, ou melhor, já desejei ser tantas vezes o que não sou, que hoje apesar de me reconhecer tão facilmente, percebo que não tenho forma, e tudo que acontece atualmente é, foi e será sempre o meu presente. Vivido substancialmente e marcado constantemente.E é nesse meio que eu caminho, lento, feito escravo; escravo do meu tempo.
domingo, 11 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
e arrasta-me a um lugar melhor,
por uma estrada calçada de suor
tão calma e bela como a rosa.
Eu que abandonei minha vida de desgosto
a deixei para ti como alento
de um pobre ser, sedento,
a amar sempre disposto.
Desvaneci o reflexo dos meus passos
reparei as pedras do caminho
em cada uma coloridos laços.
Da noite se fez alegria,
como o vento num moinho
tão belo e claro como o dia.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Onda que, enrolada, tornas,
Pequena, ao mar que te trouxe
E ao recuar te transtornas
Como se o mar nada fosse,
Porque é que levas contigo
Só a tua cessação,
E, ao voltar ao mar antigo,
Não levas meu coração?
Há tanto tempo que o tenho
Que me pesa de o sentir.
Leva-o no som sem tamanho
Com que te ouço fugir!
O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
Esplendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.
(Fernando Pessoa)
Abdicação
E chama-me teu filho. Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa — eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
sábado, 29 de agosto de 2009
Ah! Como é bom acordar
e sentir o aroma do vento
que escorre da face aos pés
como uma lágrima
que enxuga a alma.
Como é bom sonhar,
com as transições acordar
lindas palavras dizer
inesquecíveis momentos viver.
Como é bom sorrir,
sorrir até lacrimejar
lacrimejar até partir
partir até voltar.
Como é bom o amanhã,
que traz consigo paz,
de uma nova chance é fã
e criar novos caminhos capaz.
O melhor desse dia,
que eu posso dizer
antes que ele descanse.
Tudo que eu queria
era uma nova chance
a cada novo dia.
Teu sorriso me ilumina,
teu olhar me orienta,
tua alegria me contamina,
teu calor me alimenta.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Na noite escura, sombria claridade
no mar agitado, impiedosa calmaria
no olhar distante, longínqua proximidade
na amizade sincera, verdadeira fantasia.
No verão, sustentar a beleza
no inverno, recriar a emoção
na primavera, primar a sutileza
no outono, transbordar satisfação.
Assim segue o olhar distante,
sustentando a sutileza de um mar agitado,
recriando a beleza de uma amizade longínqua.
Assim segue a noite escura,
transbordando uma emocionante claridade
primando uma sincera proximidade.
domingo, 23 de agosto de 2009
Ao alvorecer minha vida começa
como uma grande aventura
não há alegria como essa
na minha vida não há partitura.
Ao meio-dia minha vida é um drama
tudo é motivo de tensão
é engraçado minha alma me chama
e eu parado morro de apreensão.
O dia muda vagamente
a tarde passa eternamente
já me sinto diferente.
Ao pôr-do-sol minha vida é uma tragédia
ela é simplesmente
uma trágica comédia.






